Insegurança

Publicada no Jornal Zero Hora em 15/06/2017

De noite as cidades
disfarçam defeitos,
usam roupa de festa.

Porto Alegre,

eu assisto as tuas luzes
em um trem sem portas.

A saudade das tuas ruas

vem a trote:
um cavalo arredio
sobe e desce lombas,
quebra meus ossos.

Ontem mesmo
eu caminhava com sacolas
em teus redutos,
não tinha medo
dos teus viadutos.

Hoje adormeço
a vontade de percorrer-te.

 

Renascimento

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seu choro agudo

arrebentou a sala

incólumes aos cacos,

nos consertamos no primeiro abraço

surgi intrépida do pavor –

carrego-a por tempestades e guarneço as pontas do mundo

você nasceu:

parto de mim

para ser algo novo

Outubro de 2014